Quase todo sistema de som de igreja nasce do mesmo jeito: aos poucos, conforme a necessidade e as possibilidades de cada fase. Primeiro veio uma caixa, muitas vezes doada com carinho. Depois um microfone, uma mesa, mais uma caixa “para ajudar no fundo”. Esse caminho é natural e mostra uma igreja que se dedica a cuidar da pregação com o que tem em mãos.
O ponto é que, quando o som cresce assim, raramente alguém tem a chance de olhar para o conjunto com orientação técnica, e é aí que surgem problemas que se repetem de igreja em igreja. Eles não dependem de marca nem de potência, e muitas vezes custam pouco para corrigir. Como já dissemos por aqui, não existe receita de bolo: cada salão é um salão. Mas estes cinco aparecem com tanta frequência que vale conhecer cada um.
1. Caixas na altura e na direção erradas
A posição da caixa decide se o som chega uniforme a todas as pessoas ou só a algumas. Quando a caixa fica muito próxima do público, quem está nas primeiras fileiras recebe pressão sonora demais, um som forte e às vezes desconfortável, enquanto o restante do salão recebe pouco. Caixa baixa demais é bloqueada pelas pessoas da frente. Caixa apontada para cima ou para as paredes joga o som no ambiente em vez de entregá-lo a quem precisa ouvir. O que muito acontece também são as caixas de som estarem retas, sem ângulo nenhum, e isso não é recomendado. O ideal é direcionar o som ao público, e muitas vezes uma caixa bem posicionada rende mais do que duas improvisadas.
Veja um exemplo de um projeto de reposicionamento de caixas que fizemos para um igreja:
A igreja tinha duas caixas por lado, posicionadas no meio: uma apontada para a frente, em direção ao púlpito, e outra apontada para o fundo. Isso gerava um vazio de som no meio do salão pela falta de distribuição adequada do áudio. Por isso, fizemos o reposicionamento e a angulação das caixas de som, sem a necessidade de adquirir caixas novas. Veja nas imagens a seguir:


2. Caixas atrás e utilização errada dos microfones
Esse erro é a causa de muita microfonia. Quando a caixa fica ao lado ou atrás de quem está falando, o som dela tende a ser captado pelo microfone, é amplificado novamente e vira aquele apito que todo mundo conhece. O mesmo vale para o retorno de palco apontado na direção errada. Quase sempre a igreja conclui que 'o microfone é ruim', quando o problema real está no posicionamento da caixa de som e no uso incorreto do microfone. Exemplo: com o microfone na barriga ou longe da boca, o som sai baixo, ninguém escuta, aumenta-se o volume e a microfonia vem na hora.
3. Ignorar o que o salão faz com o som
Piso duro, paredes lisas, vidros e pé-direito alto fazem o som reverberar. A voz chega ao fundo misturada com ela mesma, e as palavras se perdem. Algumas coisas ajudam, como cortinas, forro (de lã de pet, forro mineral e outros), carpete e painéis acústicos, mas o que vale para um salão pode não valer para o outro, e cada um tem uma necessidade diferente. Nenhum equipamento corrige sozinho um ambiente que devolve o som para o público de forma bagunçada. É por isso que “comprar caixa melhor” nem sempre resolve.
4. Cobertura desigual: bom na frente, ruim no fundo; bom na frente e no fundo, mas ruim no meio
Muita igreja tem duas caixas na frente, e quem senta embaixo do mezanino, nas laterais ou no fundo fica com um som abafado ou distante. A reação costumada é aumentar o volume, o que incomoda quem está na frente e continua sem resolver para quem está atrás. Um sistema bem pensado cobre o salão por inteiro, sem precisar de som alto em nenhum ponto. A cobertura é parte do projeto e depende do formato do salão e de onde as pessoas se sentam.
5. O Operador Precisa Ouvir o Mesmo que o Público
Em muitos lugares, a mesa fica numa salinha separada, atrás de um vidro, ou no canto da parede e até mesmo embaixo da caixa de som, onde o operador não ouve o que o público ouve. Assim, ele acerta o som para o lugar onde está e não para o lugar onde as pessoas estão. Muitas vezes o som pode estar alto para ele, mas baixo para o restante e isso gera problema no culto. O operador precisa ouvir o mesmo que a igreja ouve, e isso pede uma posição bem pensada para a mesa. Sem isso, o ajuste vira tentativa e erro, e o culto vira o laboratório.
Vale lembrar o que diz a Palavra: “Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Coríntios 14:40). Som de igreja merece esse mesmo cuidado.
O que você pode observar neste domingo, sem gastar nada
Neste culto, faça três coisas. Primeiro, olhe para onde cada caixa está apontando e se alguma está virada para o teto, para a parede ou se ele está fixada reta, sem angulação nenhuma. Segundo, sente em um lugar diferente do seu de costume, de preferência no fundo ou no canto da parede, e perceba se você entende a pregação sem esforço. Terceiro, pergunte ao operador se ele consegue ouvir o som da mesma forma que o público.
Se você encontrar algo estranho em qualquer um dos três pontos, já sabe por onde começar a investigar. Essa observação não substitui uma avaliação técnica, mas diz muito sobre onde a igreja deve investir primeiro, e às vezes a resposta é uma correção de posicionamento que custa pouco.
Som não é improviso, é projeto
Antes de indicar qualquer equipamento, olhamos o ambiente, entendemos como a igreja usa o espaço e consideramos o orçamento disponível. Muitas vezes o dinheiro economizado numa correção simples pode ir para a parte do sistema que realmente precisa dele. Isso vale para a igreja pequena do interior tanto quanto para um projeto grande.
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Sobre o autor
David Lucas é fundador da Celest Mix e responsável pelos projetos de sonorização da empresa, atendendo igrejas, eventos, escolas e ambientes corporativos. Conheça a Celest Mix ou acompanhe no Instagram.
